Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

hello, winter

o sol radiante voltou, mas a temperatura desceu. há música e luzes de natal por todo o lado.

as folhas já caíram quase todas, deixando as árvores bem nuas, e formando muitos montinhos estaladiços nos passeios, à espera que alguém os limpe. (eu não importava que lá ficassem, só para fazer crunch quando eu passo por cima deles)

e a vontade maior é a de prolongar as horas do domingo e ficar no sofá a fazer tricot, a ver filmes e a ler artigos difíceis, mas de cabeça descansada. que de manhã, faz-se ninho. ai não que não se faz.

o facto constata-se por si só. chegou o inverno.


já te disse que *amo* esta lã?

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

tanti auguri amore mio!


hoje és tu e tu e tu, vê se te tratas bem e escapas a tudo o que é frete, hala belezura! que vai estar sol e tudo! BEIJO!

beijinho chuchu, queridinha, joia, amor, babe
ahaha

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

39/50


finalmente!

Domingo, Dezembro 06, 2009

estórias

há muitos meses atrás escrevi uma carta ao meu tio quim. vive há décadas no brasil e assim que foi, passou vinte e cinco anos sem cá vir. sendo uma figura assustadora na infância da minha mãe, agora eles os dois, como o mais velho e mais nova, têm uma cumplicidade e um amor visíveis, apesar da timidez que a imigrância vai criando.

nessa carta pedi-lhe histórias, que ele conta sem parar nos nossos almoços e jantares quando vem a portugal. pedi-as escritas.

e em setembro, entregou-me três folhas pequenas. tive dificuldade em descobrir qual era a primeira, a segunda e a terceira. como vais ver, não pontua as frases, vírgulas não existem e aqui transcrevo na íntegra as histórias que resolveu contar-me.



“Conheci meus avós maternos, avó Glória e avô João, avó vendia frutas na Ponte do Bico e nas feiras aonde a nossa mãe a ajudava indo para as feiras Ponte da Barca Braga Senhora do Alívio e outras e ainda trabalhava nos campos de sol a sol com chuva frio ou sol e nosso avô era pedreiro trabalhava em Palmeira fazendo paralelos e meios fio de estradas gostava de uns copinhos todos os dias quando chegava em casa já tocado as vezes punha todos fora de casa uma noite passando pela Ponte do Bico apareceram 3 homens querendo assaltar como ele não tinha dinheiro queriam jogá-lo pela ponte mas um dos homens conheceu-o e não deixou esse homem se chamava Pirolo salvou várias pessoas de morrer afogado no rio Homem.

Tem uma estória que eu ouvia que nosso avô João, por questão de uma pessoa queria maltratar um gato. Houve uma briga com esse senhor muito mais forte que meu avô, aí ele sacou pistola e atirou nele onde ele morreu esse senhor. Era irmão do meu professor do primário em Braga.

Conheci a nossa mãe ainda jovem era bonita alegre muito trabalhadora era uma guerreira o nosso avô comprou uma carroça com cavalo para ir para as feiras mas não deu muito certo o cavalo quando passava pela tasca do nosso pai na ponte do bico enpancava só saia se desse uma tigela de vinho com pão.

Meus avós paternos conheci pouco porque avia pouca convivência com eles sei que tinham 6 filhos

Pai Augusto – Tio António – Tia Tonha – Tia Margarida – Tia Noémia e Tia Palmira, mãe da prima Guida e pela parte Materna Tio Custódio Tio Porfírio outro que não conheci foi para Espanha época de guerra outro no Brasil e a mãe

Em 1947 fomos para Braga Rua dos Marchantes n.º 34 foi estudar escola da Sé minha professora era Dona Marcela foi com ela até 4ª classe passei bem, depois foi para o Porto trabalhar com tio Alfaia até 1958 depois foi para exército

Fiquei no infantaria 8 Braga quando estava de serviço a minha mãe me trazia um sanduíche da casa da sra que ela trabalhava deixava de comer para me dar enfim foi uma guerreira apesar de não saber ler e escrever em contas não tinha igual depois que fiz exército o tio Luiz me mandou a carta de chamada e foi para o Brasil na época da guerra colonial 1960 escapei por pouco se não tinha que ir para Moçambique ou Angola cheguei no Brasil perto do meu aniversário 18/11/60 e me fizeram uma festa que nunca tinha tido pois na época não existia essas coisas escovar dentes só depois que foi para o quartel mas tenho os dentes perfeitos.

Me lembro em 1947 na época da 2ª guerra mundial tudo precisava de senhas para compra de tudo para consumo eu e o pai saímos 6 horas da manhã íamos de lavrador em lavrador para conseguir 1 kilo de pão teve uma ocasião que as senhas que o pai guardava numa caixa sumirão e achou que foi eu que peguei levei uma tareia tão grande depois as senhas apareceram e ele veio me pedir desculpas mas não faz mal estudei em Lago no primário ia descalço para escola pisando na neve mas na época era assim não avia outra maneira mas a gente era feliz e não sabia

Sempre esperando o Natal punha sapato na janela mas nunca tinha nada na época era assim mesmo o que importa foi a educação que tivemos pobres mas honrados



Meu pai esteve no Brasil ficou pouco tempo vinha com dinheiro trabalhou numa fábrica de linguiças um dia ele viu um rato na Salmoura e resolveu jogar fora as carnes pois foi despedido aí foi trabalhar como cobrador dos eléctricos aí ele foi cobrar o bilhete a um preto e ele ameaçou o pai de morte o pai pediu as contas e saiu não era batalha para ele aí veio para Portugal. Onde se estabeleceu na Ponte do Bico com tasca aonde tinha de tudo onde ele trouxe do Brasil um gramofone onde tinha bastante gente para escutar as músicas as Pipas de vinho estavão no andar de cima e ele fez uma adaptação com mangueira e torneira e o vinho descia pela mangueira com torneira, na época era inédito no país o pai se casou com a minha mãe e eu foi ao casamento num carroça o casamento foi em Amares foram morar em Soutelo na casa do Sr. Carvalho que era Padrinho do Álvaro nessa casa foi onde nasceu a Rosa e os outros irmãos nasceram na rua dos Marchantes n.º 34 ao lado da casa da tia Palmira mãe da Prima Guida ai o pai comprou uma roleta para ir nas festas isso foi um pesadelo um ramo que não era dele foi eludido com um conhecido depois foi para o Areal montou uma tasca onde eram 5 irmãos eu na época estava trabalhando no Porto também essa tasca não deu certo enfim a mãe na época vendia frutas no mercado antigo onde hoje é a câmara depois foi para o mercado novo épocas difíceis.”

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

gringo-mexicanices

vejam:
com este espólio todo, só pode ser um jantar mexicano, certo? ok, gringo-mexicano: antes que uma certa-leitora-adoptada-pelo-méxico corrigir-me, eu assumo a culpa! mas eis então os planos para uma véspera de feriado. coisas de milho com guacamole, burritos e mojitos com tequilla.

trabalhinho na cozinha, acompanhado daquelas coisas com guacamole. fizemos batota, claro, porque abacates neste país a esta altura do ano são uma aberração.

não parece bom? a gente quer lá saber. queremos é comer! e por falar em inventar, inventámos largo. para que conste, eu nunca tinha sequer comido burritos.

por isso entrei em pânico quando comecei a dobrá-los. e se se abrem? e quando é que ponho o queijo? e têm que ir ao forno? a sério? mas eu tenho fome... ok! então não vão ao forno. assunto resolvido.

e olhem só para o estado desta cozinha depois de eu ter lá passado. não acreditam? a sério, juro que não tirei a foto antes de termos começado a cozinhar. e a sério que não foi a jo que andou atrás de mim a arrumar a bagunça. pronto, já sei que não acreditam... mas é verdade! não é, jo?

a implorar: vá lá! dá-nos de comer, joui! cheira tão bem, estamos cheias de fome!
ok, ok. já vai.
mas... só burritos? e mais nada? nem pensar nisso!
mistura-se tequilla, açúcar amarelo, lima e hortelã-pimenta et voilá: mojitos, versão mexicana. provavelmente não é mexicana e faria um pro em cocktails corar de vergonha. mas a gente cá não se importa com isso.

e foi assim que comemoramos uma véspera de feriado. e como estamos a ficar velhas e sem pica, diga-se, mais sensatas, passamos o resto do serão a fazer dedos de cera.

e depois fomos dormir.

o fim.

Quarta-feira, Novembro 25, 2009

voltar

isto sempre foi de temporadas. durante uns tempos, escrevemos tantas coisas que até atraímos visitas inesperadas de gente que não conhecemos ou que não esperávamos encontrar aqui. noutras vezes, escrevemos tão pouco que mal dá para alimentar as expectativas da família, e as nossas também.

mas lembras-te porque é que isto começou? claro que lembras. era outono e tínhamos acabado de aterrar aqui e não queríamos. completamente deslocadas, estrangeiras na nossa própria casa. mas mantivemo-nos inspiradas, cheias de sonhos e projectos para não nos deixarmos morrer aqui.

são ciclos. e este é um semelhante. desta vez fui eu que saí e o regresso traz dúvidas e um sabor de arrependimento, de que a vida é noutro lado e tudo o mais. mas tu sabe-lo tão bem como eu porque, mesmo não tendo ido a lado nenhum, estás (ou queres estar) sempre num sítio que não é aqui, que não é isto.

mas depois de um ponto de situação carregado de melancolia, ou desespero, ou alguma dessas palavras que não augura coisa boa, o objectivo. voltar aqui. que isto é onde mostramos que, apesar de tudo, não somos coitadinhas. nem vamos ser. mesmo nos dias feios e chuvosos de outono, ainda encontramos coisas bonitas para ver, viver e fazer.

vou deixar de adiar os posts para contar tudo o que está para trás. aqui, é mais simples do que isso.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

fotogenia

desculpem. afinal ainda havia uma foto melhor.